RECANTO DA PROSA

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1º BEDA do Recanto da Prosa



Todos os anos digo que vou participar do BEDA (Blog Every Day August): um desafio que propõe um post por dia durante todo o mês de agosto; e imediatamente começo a inventar um monte de desculpas para me convencer de que não vai dar. Muito trabalho, pouco tempo, falta de disposição... sempre dou um jeito de me convencer a deixar pra depois. "Quem sabe no ano que vem dá certo, né?"


Só que aí veio a pandemia e nos obrigou a colocar tudo em perspectiva. No fundo, o motivo para adiar o BEDA sempre foi o mesmo: o medo de não conseguir. Mas vamos pensar bem, se eu não conseguir concluir o BEDA, o que vai acontecer? Isso mesmo. Nada. Não vai acontecer absolutamente nada. Diante de tudo o que temos vivido, do medo de adoecer, de perder alguém querido, da falta de grana, do futuro do país, quase todas as coisas perderam a importância. E de uma hora pra outra, passei a achar meus medos muito, muito bobos.


No ano passado, decidi levar o Recanto da Prosa pro Youtube. Se eu tivesse parado pra pensar bem, com certeza iria concluir que não daria certo. Eu não tinha um microfone, uma câmera, um notebook decente, um editor de vídeos, nada. Nunca tinha gravado antes. Não tinha a menor ideia do que fazer. Mas estava lendo "As 1001 noites" - o que era a única coisa que me impedia de perder a cabeça - então pensei: "e se eu compartilhasse essas histórias com as pessoas?". Daí pronto. Decidi gravar uma história por dia, até onde eu conseguisse. Andava de um lado pro outro pela casa da minha irmã, onde fiquei hospedada por oito meses, carregando um banquinho e uma pilha de livros (que usava para apoiar o celular), procurando a melhor luz e tentando fugir dos barulhos da rua. Sem um editor de vídeos, eu precisava acertar tudo de uma só vez, o que significava passar de uma a duas horas gravando a mesma coisa, para depois passar mais uma fazendo o upload no youtube (eu disse que meu notebook era ruim), e mais outra escrevendo legenda, fazendo artes para o Instagram e divulgando o link. Todos os dias.


Eventualmente reduzi a frequência para 3 vezes por semana, comprei um ring light, troquei o notebook, aprendi a usar um editor e aluguei um apartamento. Ainda estou em busca de um microfone e tenho consciência de que meus vídeos são bem amadores, mas já melhorei bastante. E a experiência foi incrível, porque me permitiu conhecer gente nova, retomar contato com gente antiga e receber muitas mensagens empolgantes, de amigos genuinamente ansiosos pela continuação das histórias.


Ok, muito legal, mas o que tudo isso tem a ver com o BEDA? Duas respostas: uma é que em ambos os casos estou cumprindo uma promessa que fiz a mim mesma de me dedicar mais ao Recanto da Prosa (coisa que tem me feito muito bem, me trazido parcerias, trabalhos e novos amigos); e outra é que estou fazendo algo que me deixa com um pouco de medo. Antes da pandemia, talvez me deixasse com muito medo, mas hoje é pouco. Em primeiro lugar porque, como eu disse, o mundo todo precisou ser reajustado; e em segundo, porque se não der, não deu. Paciência.


Nos últimos tempos, apesar de tudo, algumas coisas boas me aconteceram, simplesmente porque eu disse a mim mesma: "ok, eu sei que você está com medo, mas vai lá, só tenta". Consegui uma verba para produzir um minicurso de crônicas (link no fim do post); entrei num financiamento coletivo com a minha irmã, @dessacaixeta, para publicarmos um livro infantil (sobre ter medo!); ministrei duas palestras para o programa Oficinas Culturais da POIESIS, junto da maravilhosa @fe_notavel; consegui uma vaga como aluna especial da PUC para estudar com o professor Assis Brasil (meu sonho de princesa desde 2014!); fui selecionada para ser parceira de duas editoras; e consegui um ilustrador internacionalmente premiado para ilustrar meu próximo livro (bem na cara dura mesmo, chegando no direct e falando "oi, tudo bem, deixa eu te perguntar uma coisa...") - tudo porque virei essa chave.


Não digo que não tive medo de fazer todas essas coisas (não acredito em pessoas que dizem não ter medo); mas fui capaz de mantê-lo sob controle, apenas me fazendo duas perguntas: "Se não der certo, o que você vai perder? E se der, o que você vai ganhar?" A pandemia nos tirou muita, muita coisa. E o pior: muita gente. Mas se de todo o horror, eu puder tirar uma única coisa boa, foi essa: a capacidade de colocar as coisas em perspectiva com lucidez, para ter medo apenas daquilo que devo temer. (E mandar o resto à merda).


Então é isso. Esse ano tem BEDA. Se der certo, ao fim do mês conto pra vocês o que ganhei. E se der errado. Ah, aí deu, né? ¯\_(ツ)_/¯


___


Links de algumas das coisas que mencionei no texto:


> Playlist de histórias das 1001 noites: Histórias para a quarentena

> Minicurso de crônicas: Escrevendo crônicas com Clarice Lispector

> Livro infantil em processo de produção com a @dessacaixeta: Às vezes, na noite escura

> Palestras para a POIESIS: Clarice Lispector e a Morte de uma baleia; Livros à prova: Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade

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