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  • Aline Caixeta Rodrigues

21 livros para ler em 2021

Atualizado: Fev 8


Ano novo, livros novos!


Imagino que muita gente começa o ano com a intenção de ler mais, não é? No meu caso, considero que tenho uma boa média de leitura; mas como trabalho na área, acabo lendo pouca coisa apenas por fruição - e senti falta disso no ano passado.


Em 2020 li bastante. Mas foram principalmente materiais teóricos, bibliografias de cursos, inéditos para revisão e crítica literária. Não estou reclamando! Li muita coisa boa, amo meu trabalho e estudo literatura com o maior prazer. Mas passei vontade, diversas vezes, de escolher alguma coisa por intuição: um título, uma capa (sim, eu compro livros pela capa), uma sinopse, enfim. Sabe quando você pega um livro e pensa "é isso que eu quero ler agora!"? Pois é.


Daí que neste ano, além dos materiais de trabalho e estudo, escolhi 21 livros para ler sem compromisso - inclusive alguns que ficaram pela metade, ou que já estão na estante há algum tempo pedindo "por favor, me nota!" - e compartilhar os títulos (e sinopses) por aqui, caso alguém queria entrar nessa comigo.


Da lista abaixo, os 8 primeiros são do calendário do Clube de Ficcionistas (@clubedeficcionistas). Só não incluí "A ridícula ideia de nunca mais te ver" ¹ (escolhido para o mês de março) e "A vegetariana" (setembro) porque já os li. Aliás, vou deixar o calendário dos encontros aqui embaixo. Clubes de leitura são sempre um ótimo estímulo para quem colocou "ler mais" nas metas de ano novo.



1. Torto arado, Itamar Vieira Junior


Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas - a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção.


2. O jogo da amarelinha, Julio Cortázar


"A verdade, a triste ou bela verdade, é que cada vez gosto menos de romances, da arte romanesca tal como é praticada nestes tempos. O que estou escrevendo agora será (se algum dia eu terminar) algo assim como um antirromance, uma tentativa de romper os moldes em que esse gênero está petrificado", escreveu Julio Cortázar numa carta de 1959, quando iniciava a escrita do que viria a ser O jogo da amarelinha. Publicado em 1963, o relato de amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, a Maga, ao acaso das ruas e das pontes de Paris, é um marco da literatura do século vinte.


3. O mundo se despedaça, Chinua Achebe


Um dos livros mais importantes da literatura africana do século XX, O mundo se despedaça conta a história do guerreiro Okonkwo, da etnia igbo, estabelecida no sudeste da Nigéria. Okonkwo, um dos principais opositores dos missionários brancos, precisa encarar a desintegração da vida tribal e de tudo que conhecia até então. Publicado originalmente em 1958, dois anos antes da independência da Nigéria, o romance de estreia de Chinua Achebe foi traduzido para mais de quarenta idiomas e consolidou o autor como um dos mais notáveis de sua geração.


4. Barba ensopada de sangue, Daniel Galera


Neste quarto romance de Daniel Galera, um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista se afasta da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, o misterioso Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores.


5. Uma noite com Sabrina Love, Pedro Mairal


Todas as noites o jovem Daniel Montero encerra-se em seu quarto para assistir ao Show de Sabrina Love, programa de TV com a atriz pornô mais popular do momento. Ao vencer um sorteio para passar uma noite com Sabrina em Buenos Aires, ele terá não apenas uma primeira vez, mas várias: a viagem pelas estradas argentinas, a descoberta do sexo, a percepção da hipocrisia humana, o conhecimento do amor.


6. Sobre os ossos dos mortos, Olga Tokarczuk


Em uma remota região da Polônia, uma professora de inglês aposentada costuma se dedicar ao estudo da astrologia, à poesia de William Blake, à manutenção de casas para alugar e a sabotar armadilhas para impedir a caça de animais silvestres. Sua excentricidade é amplificada por sua preferência pela companhia dos animais aos humanos e pela crença na sabedoria advinda do estudo dos astros. Subversivo, macabro e discutindo temas como mundo natural e civilização, este livro parte de uma história de crime e investigação convencional para se converter numa espécie de suspense existencial.


7. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino


No momento em que começa a narrar os fatos, o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará prestes a ser palco de uma nova corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo - mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico.


8. O avesso da pele, Jeferson Tenório


O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado numa desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.


Daqui em diante, não tenho mais nenhum critério; foram apenas livros que me chamaram - e não tenho uma ordem cronológica específica a seguir. Alguns foram discutidos pelo Clube de Ficcionistas em 2020 (mas como eu disse, eu estava muito ocupada lendo para poder lê-los); outros chegaram por clubes de assinatura, ou foram apenas compras de impulso mesmo. Confira as sinopses.



9. O pai da menina morta, Tiago Ferro


Fragmentário, composto por seções que formam uma espécie de estrutura caleidoscópica do luto, O pai da menina morta é uma ficção sobre os reflexos da morte de uma menina de 8 anos na vida do pai. Gestado a partir de uma tragédia experimentada pelo autor em 2016, o livro não se restringe ao inventário doloroso dessa perda indizível, mas amplia o campo da escrita do luto a partir do manejo consciente e irônico de temas como autoimagem, sexualidade, humor, confissão, memória e fabulação. A morte da menina, aqui, é como a refundação do mundo para o protagonista. A partir do enterro ele sempre será visto como "o pai da menina morta".


10. Nós, mulheres, Rosa Montero


Uma jornada esclarecedora pela antologia universal de mulheres que, por bem ou por mal, fizeram história sem que a própria História se ocupasse delas. Claro que grandes e célebres figuras estão presentes. Agatha Christie, Simone de Beauvoir e Frida Kahlo, nomes incontornáveis da literatura e das artes. Mas também figuras que, ainda hoje, são menos conhecidas - e que, no entanto, merecem ter seus feitos difundidos. É o caso, por exemplo, de Mary Anning, primeira paleontóloga da História, e Juana Azurduy, que liderou exércitos contra os espanhóis. Além de muitas outras: nas ciências, nas artes, na política e nos costumes.


11. As coisas que perdemos no fogo, Mariana Enriquez


Macabro, perturbador e emocionante, As coisas que perdemos no fogo reúne contos que usam o medo e o terror para explorar várias dimensões da vida contemporânea. Em um primeiro olhar, as doze narrativas do livro parecem surreais. No entanto, depois de poucas frases, elas se mostram estranhamente familiares: é o cotidiano transformado em pesadelo.



12. Morra, amor, Ariana Harwicz


Em uma região esquecida do interior da França, uma mulher luta contra seus demônios: ao mesmo tempo que abraça a exclusão, deseja pertencer; que almeja a liberdade, sente-se aprisionada; que anseia pela vida familiar, quer botar fogo na casa. Casada e mãe de um bebê, ela se sente cada vez mais sufocada e reprimida, apesar de o marido aceitar seu estranho comportamento. A condição feminina, a banalidade do amor, os terrores do desejo, a maternidade e a brutalidade inexplicável “de levar seu coração com o outro para sempre” – esse romance aborda todas essas questões com uma intensidade crua e até mesmo selvagem.


13. Johnny Panic e a bíblia de sonhos, Sylvia Plath


Conhecida por seus poemas e pelo romance A redoma de vidro, Sylvia Plath escreveu desde muito cedo para revistas e jornais literários. Seus textos passaram a ser organizados em livro somente quinze anos após a sua morte. Johnny Panic e a bíblia de sonhos, com apresentação da escritora canadense Margaret Atwood, reúne os contos reproduzidos na primeira publicação deste livro, em 1977, outros posteriormente liberados pela mãe da autora, além de textos jornalísticos e trechos de seus diários.


14. Todos nós adorávamos caubóis, Carol Bensimon


Cora e Julia partem em uma viagem de carro pelo interior do Rio Grande do Sul com o objetivo de retomar a amizade dos tempos da faculdade. Conflitos particulares e enredos do passado vão ganhando espaço entre as duas que, além de tudo, procuram respostas sobre elas mesmas.



15. A fogueira das vaidades, Tom Wolfe


Sherman McCoy, o protagonista do primeiro romance de Tom Wolfe, é um operador da Bolsa de Valores, dono de um apartamento de catorze cômodos, em Manhattan. Quando ele se envolve num canhestro acidente no Bronx, promotores, políticos, a imprensa, a polícia, os financistas e vigaristas dos mais diversos graus atiram-se a ele, ávidos por participar de um banquete típico da comédia humana em que Nova York se transformou nesses últimos anos do século 20.


16. Os irmãos Karamazov, Dostoiévski ²


Os Irmãos Karamazov é uma das mais geniais criações literárias de todos os tempos. Analista rigoroso do comportamento humano, Dostoiévski investiga em detalhe o sentimento de culpa desencadeado pelo assassinato de um pai e debate de forma sublime as infindáveis dicotomias da natureza humana, revelando uma inquietação que é já a do homem moderno.


17. Abril encantado, Elizabeth Von Arnim


Sra. Wilkins, Sra. Arbuthnot, Sra. Fisher e Lady Caroline - quatro mulheres em diferentes fases da vida, todas insatisfeitas com o cotidiano, cada uma a sua maneira. Elas se encontram - e ao castelo dos seus sonhos - através de um anúncio nos classificados do jornal de Londres, numa daquelas tardes chuvosas de fevereiro. Com personalidades distintas e algumas expectativas conflitantes, elas dividem a estadia no castelo San Salvatore, na Riviera Italiana, por um mês. Chegando lá, no meio de um temporal, elas quase acreditam que fizeram o pior negócio de suas vidas, mas o amanhecer trará, além do sol e a beleza estonteante da primavera, o início de uma jornada de profundas transformações e de reconexão com a vida. Agora, se a mesma transformação puder ser realizada em seus maridos e amantes, então o encantamento estará completo.



18. O olho mais azul, Toni Morrison


Considerado um dos livros mais impactantes de Toni Morrison, o primeiro romance da autora conta a história de Pecola Breedlove, uma menina negra que sonha com uma beleza diferente da sua. Negligenciada pelos adultos e maltratada por outras crianças por conta da pele muito escura e do cabelo muito crespo, ela deseja mais do que tudo ter olhos azuis como os das mulheres brancas – e a paz que isso lhe traria. Mas, quando a vida de Pecola começa a desmoronar, ela precisa aprender a encarar seu corpo de outra forma.

Poderosa reflexão sobre raça, classe social e gênero, O olho mais azul é um livro atemporal e necessário.


19. Um homem bom é difícil de encontrar, Flannery O’Connor


Um homem bom é difícil de encontrar, lançado em 1955, é a mais famosa de todas as obras de Flannery O'Connor e aquela que a consagrou como uma das maiores escritoras do século XX. Enraizados na tradição gótica do sul dos Estados Unidos, os dez contos aqui reunidos revelam uma visão de mundo um tanto peculiar, em que o grotesco, o simbolismo religioso, o humor, a violência, a presença da graça divina e situações excepcionalmente tragicômicas se mesclam para revelar as complexidades do comportamento humano e, acima de tudo, a busca dos homens pela redenção.



20. Intérprete de males, Jhumpa Lahiri


Vencedora do Prêmio Pulitzer de melhor ficção, a coleção de contos de estreia de Jhumpa Lahiri marcou, em 2000, sua entrada no mundo da literatura. Nos nove contos que compõem o livro, o leitor verá sempre certo incômodo, certa maneira de estar num lugar de um modo desconfortável, uma espera sem nome e sobressaltos do entendimento desse processo. E é com esse olhar – que sempre vai e volta entre o espaço de estar e o espaço de querer estar – que Jhumpa trará histórias tocantes, nem sempre pelo enredo – que faz da simplicidade seu trunfo – mas certamente pela delicadeza de sua narrativa, e sobretudo pelo olhar arguto para tudo que revele um sentimento, uma tensão, uma espera.


21. O sentido de um fim, Julian Barnes


“O que você acaba lembrando nem sempre é a mesma coisa que viu.” A frase, dita por Tony Webster, protagonista e narrador de O sentido de um fim, resume bem a ideia central da trama criada por Julian Barnes. Ao reavaliar seu passado, o personagem descobre que há contas a acertar, sentimentos que não foram esquecidos e fatores surpreendentes que ameaçam a tranquilidade de sua vida de aposentado. Vencedor do prestigiado Man Booker Prize 2011, O sentido de um fim é a história de um homem que se esforça para passar a limpo o seu passado. Escrito com a precisão e a habilidade que são a marca de Julian Barnes, um dos mais importantes escritores da atualidade, o livro aborda, de forma brilhante, a sensação de instabilidade cronológica numa elaborada reflexão sobre o envelhecimento, a memória e o remorso.




Estou bem consciente de que talvez eu não consiga ler todos eles - considerando as perspectivas de estudo e trabalho - e de que poderão surgir alguns intrusos dispostos a furar a fila, mas tudo bem. Essa é a minha lista sem compromisso. Afinal a gente já é tão cobrado o tempo todo, que se formos nos cobrar até nos momentos de descontração, não vai sobrar ninguém de pé.


Mas me conta de você aqui nos comentários. Já leu algum dos títulos? Deu vontade de conhecer algum? Tem alguma sugestão interessante ou meta de leitura pra compartilhar?



¹ Leia aqui um pouquinho do que achei de A ridícula ideia de nunca mais te ver.

² Neste ano, celebramos o bicentenário de Dostoiévski, então já adianto que estou planejando uma boa resenha dos Karamazov para novembro. Melhor começar a ler desde já...

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