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RECANTO DA PROSA

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  • Aline Caixeta Rodrigues

Flipoços - Parte 2

Entre os dias primeiro e 3 de maio, tivemos de dar uma escapada da feira para viajar de volta a São Paulo, portanto não conseguimos ver muita coisa, mas o que deu pra presenciar valeu a pena!


Na quarta-feira, em pleno feriado de primeiro de maio, começamos o dia com a mesa "As mães dos livros infantis, bem distantes da realidade", ministrada pela psicanalista Silvia Lobo (autora do livro "Mães que fazem mal"), que discorreu sobre as imagens maternas apresentadas pelas histórias para crianças. A palestrante falou sobre os estágios de desenvolvimento da infância, mostrando que nos primeiros anos as crianças precisam de certas dicotomias e simplificações para entrar no mundo com estabilidade, mas que no decorrer do tempo é preciso apresentar-lhes novas experiências de leitura, que falem de perdas, fracassos, erros... e que proporcionem um desenvolvimento psicológico e social saudável.

Segundo a palestrante, a dicotomia "mãe boa x madrasta má" está muito distante da realidade, pois enquanto as mães e crianças da realidade são múltiplas, as da ficção são padronizadas. "Todas somos mães e madrastas", disse Lobo. "E o melhor que podemos entregar para nossos filhos somos nós mesmas". Para a escritora, devemos nos questionar continuamente sobre as ideologias que defendemos e nossos padrões de maternidade e feminino. "Precisamos pensar e ensinar as crianças a pensarem também: daquilo que eu digo, o que é meu? E o que é que eu peguei emprestado sem pensar a respeito?". Clique aqui para assistir a um vídeo da autora falando sobre o livro.



E depois do bate-e-volta a São Paulo, o que dizer da mesa "Periferia sem fronteiras", com a presença de Michel Yakini e mediação de Jéssica Balbino?


A abertura da noite ficou a cargo dos alunos do professor Vinícius, da Escola Padrão, que declamaram poemas autorais, sem medo do microfone. Os convidados fizeram denúncias muito politizadas, por meio de seus versos, ao racismo e à violência, mas também falaram de amor, amizade e dos dilemas da adolescência. Foi talento pra aplaudir de pé!


O tema central do bate-papo foi a questão de como romper as fronteiras da periferia por meio do arte; mas é claro que a conversa extrapolou para uma série de outros tópicos, como a intuição criativa, os diferentes momentos de produção de um livro, o mercado literário e o público leitor brasileiro. Michel Yakini, que também é arte-educador em Pirituba (São Paulo/SP), falou ainda sobre o seu novo romance "Amanhã quero ser vento" e nos contou um pouquinho de sua trajetória, sempre  convicto daquilo que acredita e muito autoconsciente, tanto de sua luta, quanto dos seus processos de escrita. "O texto mais potente, hoje, não está só nas livrarias, ou nas bibliotecas, está na rua também", disse o autor. "A poesia está em todo lugar. A poesia é uma capacidade humana". Para saber mais sobre o novo romance de Yakini, clique aqui.



No sábado, dia 4, tiramos o dia para passear pela cidade, então só chegamos à feira no começo da noite, para assistir à mesa "50 anos de sexo, drogas e política", com Nelson Motta e Fernando Gabeira. O encontro tratou de temas delicados como a corrupção sistêmica, a radicalidade do embate entre "fascistas" e "comunistas", a desconfiança em relação à democracia, as políticas de segurança pública, o sistema penitenciário brasileiro, a legalização da maconha e da prostituição, a obsessão do governo pela pauta gay e o tráfico de mulheres. Haja coragem para tanto tabu!


Segundo Motta, não apenas o Brasil, mas o mundo está vivendo uma "epidemia antagônica", fortalecida dia após dia pelas redes sociais: "a internet deu voz a todo mundo; as pessoas estão juntando ressentimentos há séculos e agora podem 'botar pra fora' protegidas pelo anonimato". Para Gabeira, não há solução possível a não ser "ir explicando devagar".


Após a mesa, tivemos o prazer de assistir ao show com Badi Assad, autora do livro "Volta ao mundo em 80 artistas", disponível no site da editora Pólen. Clique aqui para consultar o livro.



Por fim, no domingo, dia 5, saímos cedo de volta para São Paulo, mas não sem antes assistir à mesa "As muitas formas de ler a obra machadiana", com Jean Pierre Chauvin e Iris Amâncio, em homenagem aos 180 anos do nascimento de um dos  maiores escritores do nosso país - e (por que não?) da literatura mundial.


Os integrantes da mesa discorreram com muita propriedade sobre as questões raciais em torno da imagem de Machado, apontaram as críticas políticas nas entrelinhas de suas narrativas, questionaram os métodos de ensino das escolas que promovem o contato com os livros do autor e, é claro, lembraram personagens icônicos da obra machadiana. Ao final, Iris Amâncio apresentou um belo projeto para viabilizar a leitura de clássicos para crianças, assim como para trazer mais escritores negros para as escolas - reforçando que Machado de Assis era um autor negro e que precisamos corrigir o erro histórico de nunca tê-lo apresentado pelo homem que foi.



Clique na imagem abaixo para acessar o site da campanha #machadodeassisreal, promovida pela Faculdade Zumbi dos Palmares.



Ao todo, foram cerca de 90 mil visitantes, 80 expositores, e mais de 100 mil títulos de livros à disposição do público, com recorde de vendas estimado em R$2,2 milhões. Para consultar o histórico oficial do evento, clique aqui, ou acesse o podcast literário Rabiscos no Spotify e escute os queridos Tadeu Rodrigues e Jéssica Balbino falando sobre os momentos marcantes do evento.



Perdeu a feira de 2019 e ficou com vontade de conhecer mais? Então anota aí, que a Flipoços 2020 já está com a data definida entre os dias 25 de abril e 03 de maio de 2020. O tema também já foi divulgado e estamos sem palavras para descrever nossa empolgação: "Mulher e Literatura: da poesia ao poder". É de morrer de ansiedade, não é? Clique na imagem abaixo para acessar o site oficial do evento.



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