RECANTO DA PROSA

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  • Aline Caixeta Rodrigues

Flipop




Começou a Flipop! E o primeiro dia de evento já contou com uma programação cheia e mesas de alto nível. Neste ano, a feira está sendo realizada no Centro Cultural São Paulo, entre os dias 2 e 4 de agosto - o que significa que ainda dá tempo de adquirir o seu ingresso e dar uma passada por lá (R$40 inteira e R$20 meia-entrada).


As mesas estão sendo realizadas na Sala Aldoniran Barbosa e no Espaço Missão, começando sempre às 14h15.


Aí vai um resumo da nossa programação do primeiro dia de festival:


Mesa 1: O que a História não contou

As pessoas e as vozes que os livros não nos apresentam, mas que têm muito a nos ensinar

Com: Duda Porto, Jarid Arraes e Lavínia Rocha

Mediação: Pétala Souza


O primeiro bate-papo da tarde trouxe à tona as vozes silenciadas pela História (essa com H maiúsculo mesmo) e a importância da escuta ativa do que elas têm a nos dizer. As autoras falaram do quanto o nosso imaginário coletivo foi moldado por pontos de vista limitados, da responsabilidade dos escritores pelas consequências daquilo que escrevem, da relação entre literatura e política, da disputa entre a história oral e a história documentada, e da importância da diversidade, assim como da pesquisa, da escuta e da sensibilidade. 


Nas palavras de Jarid Arraes"Eu fiz uma escolha por personagens que fossem mulheres e negras, porque eu cresci lendo histórias de homens brancos e queria que mais leitores pensassem: 'uma pessoa como eu está num livro, eu também posso escrever'. [...] Foi uma escolha política e consciente, além de um encontro muito bonito com a criança que eu fui. [...] Havia milhões de possibilidades, era um repertório infinito. As mulheres do sertão são muitas e eu quis representar esse lugar pelos olhos delas, então recorri à ficção para abrir espaço para essas mulheres diferentes da mulher que eu sou."


Mesa 2: Como contar nossas histórias?

Os perigos de uma narrativa única e a importância de ter representatividade sem estereótipos

Com: Vítor Martins, Lavínia Rocha e Thaís Rodrigues

Mediação: Thati Machado


Dando continuidade ao tema, seguimos para a segunda mesa do dia, que veio reforçar a importância da representatividade, da literatura jovem (que é por princípio contestadora e formadora de leitores) e do reconhecimento de diferentes lugares de fala; além de debater temas como autoestima, estereótipos, quebra de padrões e a validade das experiências pessoais.


Para Vítor Martins, "os jovens de hoje têm a oportunidade de ler coisas diferentes daquelas que eu lia. [...] Eu tenho uma vivência de mundo única, mas existem muitas pessoas que pensam igual a mim, têm as mesmas experiências que eu. [...] E esse movimento é importante por isso: para que mais leitores possam se encontrar."


Mesa 3: O que torna um livro juvenil um clássico?

Um debate sobre os livros que marcam jovens por gerações e como os livros de hoje se transformam em clássicos do futuro

Com: Carla Bitelli, Luana Chnaiderman e Pedro Bandeira

Mediação: Tatiany Leite


Em sequência, assistimos a uma mesa que foi um presente para a adolescente que fui: um encontro com o escritor Pedro Bandeira.


Em companhia da editora Carla Bitelli e da educadora Luana Chnaiderman, o autor defendeu os clássicos, a liberdade que os autores devem ter para enfrentar pais, escolas, instituições e governos na defesa daquilo que soa verdadeiro ao público jovem e, principalmente, a honestidade: "A literatura faz você passar por grandes problemas, sem de fato ter que vivê-los, ela te amadurece. [...] Alguns pais acham que protegem a inocência de seus filhos prolongando a ignorância, mas nós temos de enfrentar a realidade tal como ela é. Quanto mais você aprende, mais você se defende. Ou a literatura é portadora da verdade humana, ou não é literatura."


Em consonância com o pensamento do escritor, Carla Bitelli lembrou que "o leitor jovem é um leitor muito questionador" e que na YA [literatura young adult/ jovem adulta] é onde mais se fala de temas tabus: "É onde muita gente vai ousar, romper barreiras."


Luana reiterou ainda a importância de se arejar a palavra "clássico", compreender o que é o politicamente correto e fazer as distinções necessárias entre moral e ética: "Eu sempre achei que clássico era sinônimo de chato. Os livros clássicos se tornam clássicos não porque os críticos decidiram, mas porque são fundamentalmente muito legais. E continuam sendo legais através do tempo. [...] A literatura é uma ponte para uma humanização e isso tem muito mais a ver com uma construção ética do que um ensinamento moral."


Mesa 4: Crowdfunding

Financiamento coletivo e a participação direta do público na publicação

Com: Ian Fraser, Larissa Siriani e Luciana Fracchetta

Mediação: Felipe Castilho


Nossa última mesa do dia foi uma conversa descontraída com dois autores e uma representante da editora Aleph, que utilizaram plataformas como o Catarse e o Kickante para levantar fundos e produzir seus livros de forma coletiva. Entre histórias divertidas, dicas práticas e alertas para os possíveis problemas decorrentes da escolha pelo crowdfunding, os componentes da mesa concluíram que o recurso é válido, mas que é preciso fazer um bom planejamento e estudar bem as plataformas antes de se iniciar qualquer projeto.


Concluímos o post com as palavras de Larissa Siriani, já na expectativa do segundo dia de evento: "Apoiem a arte nacional. A gente só sobrevive com arte e a arte só sobrevive com vocês."


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