RECANTO DA PROSA

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Johnny Panic e a bíblia de sonhos (S. Plath)

Atualizado: Fev 13



"O medo perfeito expulsa todo o resto."



No instante em ouvi falar, pela primeira vez, de Johnny Panic e a bíblia de sonhos, garanti meu exemplar. Logo na pré-venda. Confesso constrangida que nunca havia lido a prosa de Sylvia Plath, só conhecia alguns poemas esparsos; e, para ser muito honesta, o que me atraiu de cara (além do título fenomenal que dá nome ao primeiro conto da coletânea) foi a curiosidade de, como disse Margaret Atwood: "escarafunchar gavetas de escrivaninha que a autora, se viva estivesse, sem dúvida manteria firmemente trancadas".


Johnny Panic é um mosaico de contos, ensaios e trechos de diários. É oscilante. Alguns textos são arrebatadores, passando pelo mais sensível olhar poético de Sylvia Plath, e outros são, francamente, medianos. E isso é maravilhoso. Como escritora que sou, me alenta descobrir que grandes escritores também escreveram textos medianos. Diria até que é bem estimulante. E atesta de modo inegável que essa inspiração mística da qual muitos acreditam que depende a escrita, essa que parece descer límpida e pura dos céus, não passa mesmo de um mito. Escrever é um exercício de aprimoramento (inconstante) e exige quilômetros de linhas para produzir algo de qualidade. Não acredito em gênios. Ou até acredito, mas que seja um por século. O resto de nós precisa trabalhar - e muito - vencendo toneladas de insegurança e o ímpeto de reescrever o mesmo texto para sempre, em busca da perfeição.