RECANTO DA PROSA

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"O que ela quer da gente é coragem"

Atualizado: Jun 30



Não digo que "não é pra qualquer um", porque não acredito nisso, mas ler Guimarães Rosa exige esforço, sim.

Da primeira vez que tomei contato com a obra de Rosa, eu estava no ensino fundamental, e uma professora muito querida inventou de ler "A terceira margem do rio" com a turma. Lembro-me de não ter chegado a compreendê-lo inteiramente (achando que um dia isso seria possível), mas também de ter intuído que havia algo de muito poderoso ali.

Meu segundo contato com Rosa foi pela coletânea de contos Sagarana, agora no colegial. A exigência do vestibular eram apenas duas narrativas: "O burrinho pedrês" e "Sarapalha". Mas não deu, acabei devorando o livro todo.

Na faculdade, foi a vez de enfrentar o Grande Sertão: Veredas. Me juntei a uma meia dúzia de entusiastas do núcleo de literatura e com a mediação de uma outra professora, também muito querida, fundamos o Lector in Fabula: um grupo de leitura, que servia "apenas" para ler os clássicos. Um pouco por vez. E atravessamos o sertão juntos.


Também nessa época, meu pai foi convidado a assistir a uma peça e recebeu quatro convites para levar a família. Eu não sabia do que se tratava, mas quando o ator entrou no palco, encarou a plateia e pronunciou a primeira palavra, já me senti arrepiar até a ponta dos pés: "Nonada".


“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”


Mais tarde, foi a minha vez de e