RECANTO DA PROSA

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  • Aline Caixeta Rodrigues

Parafusos

Atualizado: Jan 7



Para o mês de fevereiro, o desafio proposto pela comunidade Leia Mulheres de São Paulo foi a leitura de uma HQ. Fiquei muito animada com a ideia, porque não conheço quase nada do gênero e estou adorando a experiência de me abrir para livros diferentes daqueles que eu procuraria por minha conta, mas as coisas não saíram como o esperado.

Saindo da primeira reunião do ano, no dia 19 de janeiro, quando conversamos sobre o romance Jane Eyre, fui direto para a livraria mais próxima e comprei o último exemplar de "Parafusos" disponível no estoque da loja. Mas ao chegar em casa e começar a leitura, confesso que me senti um pouco frustrada, pois logo nas primeiras páginas a personagem/autora se vê diagnosticada com transtorno bipolar e se empolga bastante com a ideia de ser uma "artista louca". Fechei o livro, chateada com a "glamourização" da loucura que previ (erroneamente) ali e achei que a escritora havia sido muito irresponsável em tratar de um tema tão delicado com tanta leviandade. (Obviamente, não havia lido a sinopse).


Felizmente, no entanto, sou dessas que não tem coragem de aparecer para um clube de leitura com um livro pela metade, então voltei a "Parafusos", mesmo contrariada. E para variar, paguei língua. O livro é incrível! Embora o assunto seja tratado de maneira simples e bem-humorada, a abordagem que Ellen Forney faz de seu desequilíbrio não tem nenhuma romantização. A luta para encontrar os remédios corretos, os efeitos colaterais, as complicações nos relacionamentos afetivos com amigos e familiares, todas as dúvidas e oscilações, o medo de se tratar e perder a veia artística, o medo de não se tratar e perder a vida... tudo muito vívido, honesto e transparente.


Poucas vezes vi um livro ser tão didático ao tratar de um tema tão sério. Qualquer pessoa que nunca tenha estudado Psicologia (bem como enfrentado ou convivido com alguém que batalha para vencer um transtorno mental) é plenamente capaz de compreender o quadro da personagem e sentir empatia por ela. No caso de Ellen Forney, a questão é o transtorno de bipolaridade, mas mesmo para quem enfrenta outras doenças, o livro consegue ilustrar de modo claro o que é a luta contra a própria mente.


Agora a pergunta final: você indicaria este livro para um amigo? Sem. Sombra. De dúvida.


Além do trabalho gráfico sensacional, "Parafusos" me fez perceber com muito mais clareza uma infinidade de coisas sobre mim e sobre algumas pessoas que fazem parte do meu círculo social. Indico especialmente para profissionais da área da saúde mental, leitores que convivam com pessoas adoecidas, ou mesmo para quem possa estar em luta contra o próprio eu. Só não vale terminar a leitura se achando bipolar, pois vivo batendo na tecla de que quem é leigo no assunto não deve sair por aí fazendo (auto)diagnósticos. Falar sobre saúde mental é muito importante, mas se você suspeita que um amigo, familiar, ou que você mesmo/a possa estar com algum problema, minha dica é: procure um profissional capacitado.


Agora o jeito é esperar o próximo sábado, dia 23 de fevereiro, para ir ao encontro do clube e ver o que outras mulheres acharam dele. Vem com a gente! É só chegar :)



Sobre a autora

Autora de best-sellers de memórias gráficas, Ellen Forney colaborou com o livro vencedor do National Book Award, "The Absolutely True Diary of a Part-Time Indian", e foi premiada com bolsas de estudo da MacDowell Colony e da Civitella Ranieri. Como artista visual, foi curadora do livro “Graphic Medicine: Ill-Conceived & Well-Drawn”, uma exposição itinerante sobre quadrinhos e saúde para a National Library of Medicine; além de ter sido selecionada para criar dois murais permanentes em grande escala para a estação de metrô Capitol Hill em Seattle. Ellen cresceu na Filadélfia, mora em Seattle e leciona quadrinhos no Cornish College of the Arts. Para mais, acesse aqui a página oficial da autora (em inglês).



Informações técnicas


Título: Parafusos - Mania, Depressão, Michelangelo e Eu

Título original: Marbles - Mania, Depression, Michelangelo, and Me

Autora: Ellen Forney

Ano de publicação: 2014

Tradução: Marcelo Brandão Cipolla 

Editora: WMF Martins Fontes; 1ª ed. 

Nº de páginas: 256


Sinopse: Pouco antes de fazer 30 anos, Ellen Forney ficou sabendo que sofria de transtorno bipolar. Incontestavelmente maníaca, mas receosa de que os medicamentos a fizessem perder sua criatividade e seu ganha-pão, Ellen deu início a uma luta - que durou anos - para encontrar equilíbrio mental sem perder a si mesma ou a sua paixão. Buscando entender o conceito popular do "artista louco", Ellen encontrou inspiração na vida e na obra de outros artistas e escritores que sofriam de transtornos do humor, entre os quais Vincent van Gogh, Georgia O'Keeffe, William Styron e Sylvia Plath.



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