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RECANTO DA PROSA

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  • Aline Caixeta Rodrigues

Leituras do mês: Fevereiro

Dos muitos projetos que tenho para o blog, nesse 2020, o "Leituras do mês" é um dos que mais tem me empolgado. Além de me tirar o peso de ter que escrever uma resenha para cada livro que me passar pelas mãos (vou deixar as resenhas apenas para os meus favoritos) e a consequente culpa por nunca ter conseguido fazer isso; acho que, nesse formato, vou me sentir mais à vontade para expressar minhas opiniões de modo honesto e descontraído (esse é o mantra para 2020: escrever no blog com honestidade e descontração).


Não tenho muita regra por aqui. Vou falando o que me der na telha. Se gostei, o que gostei, o que não gostei, o que me chamou a atenção, no que o livro me fez pensar, e por aí vai. Decidi também que só vou listar aqueles que indico, pois, enquanto escritora, sinto muita empatia por qualquer autor(a) que tenha a coragem de dar a cara à tapa - especialmente nesse mundo digital onde as pessoas não têm nenhum pudor de bater com força - e não quero correr o risco de machucar alguém. Só quem escreve sabe o quanto dói ver o seu livro apanhando por aí. Então é isso: se não for pra indicar, não vou nem te contar que li. Obviamente, não irei me isentar de críticas, mas se o livro está na lista, é porque acho de verdade que a leitura vale a pena.


Vamos lá?



A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero


Tudo bem, vamos confessar. Essa não foi uma leitura de fevereiro. Comecei o livro no fim de dezembro e acabei em meados de janeiro, mas como não consegui fazer um post com as leituras do mês anterior (e eu simplesmente precisava falar desse livro!), decidir começar por ele. Pense numa receita com os seguintes ingredientes: luto, feminismo, memórias e radiação. A ridícula ideia de nunca mais te ver é o resultado dessa combinação inusitada - e não só nos temas, como no próprio formato do livro. Há momentos em que parecemos estar lendo um manifesto (cheio de hashtags sobre #honrarospais, o #lugardamulher, #culpa e #ambição, apenas para citar alguns); trechos narrativos em que não conseguimos diferenciar o que é memória e o que é ficção; parágrafos autorreflexivos sobre a própria criação literária; e, é claro, o fio condutor que costura todo o resto: a biografia de Marie Curie. Sim, aquela das aulas de química, duas vezes ganhadora do prêmio Nobel por suas descobertas radioativas. Parando por aí, eu já teria material suficiente para indicar a leitura, mas, acredite, tem mais. A linguagem de Rosa Montero é simplesmente maravilhosa. Li e reli páginas inteiras em voz alta, apenas porque eram bonitas; e acabei o livro com uma vontade enorme de ler tudo de novo desde a primeira página. Em uma entrevista recente para o blog Como eu escrevo (clique aqui para ler a entrevista completa), o entrevistador me pediu para indicar três livros. Apenas três (uma tortura). E A ridícula ideia de nunca mais te ver foi um deles.



Se Deus me chamar não vou, Mariana Salomão Carrara


Comprei esse livro na feira da USP do ano passado, apenas pelo título e por algum burburinho sobre o quanto a narrativa era incrível, mas só fui parar para lê-lo por agora. De cara, gostei do fato de a personagem principal ser a narradora e, mais ainda, de ela ser uma criança; afinal sou apaixonada por essa configuração - tanto que estou concluindo um romance contado por um narrador de sete anos. A história é forte, sem dúvida; e a personagem, Maria Carmen, provoca uma empatia imediata no leitor. No entanto, duas coisas me causaram algum incômodo nesse livro. A primeira é que, em diversos momentos, senti uma contaminação da voz da autora (adulta) na voz da personagem (que afinal é uma criança, mesmo que madura e perspicaz). Alguns dos raciocínios da Maria Carmen me pareceram excessivamente elaborados, especialmente aqueles sobre o ofício da escrita - o que não afetou, de forma alguma, o prazer que senti em me identificar com essa garotinha se descobrindo uma escritora. O segundo é a ascensão constante da tragédia. E digo isso do lugar de uma pessoa dramática que sempre foi fascinada por uma sucessão de tragédias, mas que hoje acredita na importância de alguns pontos luminosos em meio a uma trajetória escura. Momentos de leveza são respiros para o leitor e potencializam (com força!) qualquer conflito que venha em sequência. De resto, só tenho elogios ao livro de Mariana Carrara. O ritmo da leitura é fluido, mesmo que o conteúdo seja denso; as personagens são complexas e o roteiro te prende do começo ao fim.


Observação: Se Deus me chamar não vou foi o livro escolhido pelo Leia Mulheres São Paulo: um clube de leitura gratuito, cujos encontros ocorrem no Centro Cultural São Paulo (estação Vergueiro). O encontro para discutir o livro será realizado no dia 28/03, às 16:00. Mais informações no Instagram @leiamulheressp.



Fique comigo, Ayobami Adebayo


Romance de estréia da nigeriana Ayobami Adebayo, Fique comigo é uma narrativa daquelas de tirar o fôlego - tanto que, não à toa, foi finalista do Baileys Women’s Prize for Fiction, um dos mais prestigiados prêmios literários do Reino Unido. No livro, acompanhamos a história de Yejide e Akin, em capítulos ora narrados por ele, ora por ela. O pano de fundo é o cenário político conturbado da Nigéria, mas o verdadeiro drama está nas relações familiares e na luta de Yejide para conseguir engravidar. A história é linda e triste, mas o que mais me chamou a atenção foi a habilidade da autora para costurar diferentes vozes e momentos da vida do casal. Digo porque acho extremamente desafiador escrever numa primeira pessoa masculina de forma convincente. Ainda não ouvi a opinião de nenhum leitor sobre a voz de Akin, mas comparando-a com livros de narradores masculinos escritos por autores do sexo masculino, me senti convencida. Tenho uma teoria para explicar por que muitas autoras se saem bem com vozes masculinas - e por que o oposto é mais raro. Nós, mulheres, crescemos lendo homens (veja as listas de leitura das escolas do século passado) e, portanto, temos mais familiaridade com o universo literário masculino do que os homens têm com o feminino. Identificar-se com o feminino sempre foi visto como um sinal de fraqueza ou mesmo como indício de homossexualidade - duas das coisas que mais aterrorizam nossa sociedade machista, durona e homofóbica. Mas enfim. Teorias à parte, o livro é incrível e vale a leitura.



Marrom e amarelo, Paulo Scott


Em outubro do ano passado, durante o Festival Mário de Andrade, tive a felicidade de participar de uma oficina de escrita com o professor Luis Antonio de Assis Brasil, responsável pela formação de muitos dos grandes escritores brasileiros contemporâneos; depois da qual a turma decidiu montar um clube de leitura, que recebeu o nome de Ficcionistas da Mário (acompanhe o calendário de leituras e encontros do clube no Instagram @ficcionistas_da_mario). Durante a oficina, o professor Assis Brasil indicou uma série de livros, cujos títulos nos enviou mais tarde por e-mail, com indicações sobre o que deveríamos observar em cada um deles. Escolhemos alguns, montamos um cronograma, e Marrom e Amarelo foi o eleito para o mês de fevereiro. Embora eu não tenha conseguido comparecer ao encontro (o Paulo Scott esteve por lá!), adorei ter lido o livro e afirmo, com toda a certeza, que ele traz temáticas muito pertinentes ao nosso atual cenário brasileiro - com todas as suas contradições, questões políticas e preconceitos arraigados (em especial, o racismo estrutural cada vez mais nítido em nossa sociedade). No começo, tive alguma dificuldade com a formatação de diálogos do livro: todos são escritos em linhas contínuas, sem quebras de parágrafos ou sinais indicativos de alternância nas vozes dos personagens - e ainda por cima, há uma série de intervenções do narrador entre as falas - mas quando você se acostuma... que livro!


Observação: para o mês de março, o livro escolhido pelo Ficcionistas da Mário foi Mônica vai jantar, de Davi Boaventura. O encontro será realizado no dia 20/03, às 19:00, na Biblioteca Mário de Andrade. Entrada gratuita.



Então é isso! Também andei dando uma olhada em vários livros de poesia para preparar o Minicurso de Poesia Contemporânea que irei ministrar nos dias 16, 17 e 18 de março (saiba mais aqui), mas como esse post já está ficando comprido, vou deixar para falar deles em outra ocasião. Obrigada por chegar até aqui!


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