RECANTO DA PROSA

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  • Aline Caixeta Rodrigues

Sete livros para escritores

Será possível ensinar alguém a ser um escritor? Ou escrever é um dom? E a tal da "inspiração"? Falando por mim (que é apenas por quem - quase sempre - sei falar), digo que sim. Não gosto da ideia de dom, porque ou você nasce com ele, ou não. Daí que se você quer escrever, mas deu azar, problema é seu. Vá procurar outra coisa para fazer. Acredito sim que algumas pessoas tenham mais facilidade para escrever do que outras, que sejam mais intuitivas, autodidatas e sensíveis ao aprendizado por meio da leitura (e já digo que, de jeito nenhum, confio em escritores que não leem); mas para a grande maioria, um pouquinho de estudo pode fazer uma grande diferença.


Em minhas oficinas, não falo em dom. Prefiro usar a palavra vocação. O termo deriva do latim, vocatio, que significa chamado, convite; e aí sim acho que podemos reconhecer quem tem algum pendor para a escrita. Como eu disse, me parece que existem certos autores capazes de se virar para aprender sozinhos, mais ou menos como o músico que "toca de ouvido". Mas será que esse é o único caminho? Me parece que não. Defendo e continuarei a defender que o estudo da escrita nos ajuda - e muito! - a encontrar atalhos. Para que ficar reinventando a roda se podemos aprender com a experiência de tantos autores, críticos, teóricos e professores que vieram antes de nós? Não parece bobagem? Ou um pouco de orgulho, talvez? Não sei você, mas eu não perco meu tempo redescobrindo o que já foi descoberto.



Estudar escrita não é nenhum demérito. Não torna ninguém menos escritor. Ou engessado. Ou igual a todo mundo. Essas ideias não passam de uma série de preconceitos bobos e equivocados. Estudar escrita nos apresenta um universo de referências, técnicas e bases teóricas que permitem explorar o nosso potencial e desenvolver a nossa própria voz. Ao menos para mim foi o que aconteceu. Nem sei como mensurar a qualidade do que escrevo hoje em relação à qualidade do que escrevia antes de começar meus estudos literários, quando contava apenas com a minha própria "inspiração".


Ah! E eu já ia me esquecendo de falar dessa aí, né? Em resumo: não acredito em inspiração que vem de cima. Não mesmo. Digo, sim, que inspiração vem de dentro. E que esse dentro é uma profunda elaboração do inconsciente, formulada a partir de experiências, estímulos e, é claro, estudo. Quanto mais, melhor. E foi por isso que decidi escrever esse post, hoje, no dia mundial do escritor: para incentivar autores e autoras iniciantes (ou veteranos, por que não?) a mergulhar sem medo no estudo da escrita. Prometo que vai valer a pena.


A lista abaixo é uma sugestão pessoal de livros que abordam a arte da escrita literária. É claro que deixei muita coisa boa de fora, mas esses aí já irão render boas doses de aprendizado. ;)



1. A arte da ficção, David Lodge: O aclamado romancista e acadêmico britânico David Lodge presenteia com este livro todos aqueles que têm interesse em saber como funciona a arte da ficção. Em cinquenta artigos curtos, escritos em linguagem coloquial, cheios de verve e humor, são abordados aspectos do fazer literário como a construção do começo e do final dos romances, a manipulação temporal, o uso do suspense, a escolha do ponto de vista, do nome dos personagens, do título e da estrutura narrativa. Lançando mão de suas habilidades como professor de literatura e escritor, Lodge usa como exemplos trechos tirados de obras-primas de grandes autores e conduz o leitor por um incrível passeio pelo universo da ficção.


2. Como funciona a ficção, James Wood: Notabilizado por seus ensaios na revista The New Yorker e professor de crítica literária na Universidade de Harvard, Wood aborda, numa prosa inteligente e aguçada, os mecanismos, procedimentos e efeitos da construção narrativa. A representação do real na literatura é o eixo central de Wood, que questiona os limites entre artifício e verossimilhança na ficção. Em dez capítulos, elementos fundamentais do texto ficcional são discutidos pelo autor: o personagem, o foco narrativo , o estilo etc. Referência fundamental para escritores em formação, professores de literatura e todos que se interessam pelo mundo das letras.



3. Formas breves, Ricardo Piglia: Aqui o ficcionista e o teórico da literatura aproximam-se e permutam-se. Em onze textos curtos, Ricardo Piglia reflete sobre autores centrais da moderna literatura argentina, clássicos da modernidade, as relações entre literatura e psicanálise e a natureza do conto, gênero cuja marca é a brevidade, mas que Piglia transforma num largo campo de investigações sobre o fazer literário e sua tarefa de iluminar a existência. Registros de caráter pessoal convivem aqui com ensaios e anotações críticas. Como o próprio autor assinala, os textos deste livro “podem ser lidos como páginas perdidas no diário de um escritor e também como os primeiros ensaios e tentativas de uma autobiografia futura”.


4. O romancista ingênuo e o sentimental, Orhan Pamuk: No cerne da arte do romance está a habilidade de pintar, com palavras, quadros que correspondam às sensações e sentimentos dos quais se quer fazer o leitor cúmplice. E mais ainda, acrescenta Orhan Pamuk: ao romancista cabe “mostrar o mundo tal como os protagonistas o percebem, com todos os seus sentidos”. Numa dimensão mais filosófica, as “aulas” contidas neste livro sustentam que, embora em crise, o romance ainda nos faz pressentir ou imaginar um centro, uma chama a cuja luz as coisas revelam seu significado mais profundo.


5. Para ler como um escritor: um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los, Francine Prose: Virginia Woolf, Jane Austen, Nabokov, Philip Roth, Flaubert e Tchekhov. Esses são alguns dos nomes que compõem a eclética lista de autores a quem Francise Prose dedica uma leitura atenta e cuidadosa, em busca do segredo do “escrever bem”. De cada um extrai valiosas lições, e surpreende o leitor com um olhar novo sobre a literatura, que foge do modelo dos manuais tradicionais. Com acréscimos de Italo Moriconi à edição brasileira, esta é uma obra indispensável para escritores iniciantes e leitores inveterados.



6. Seis propostas para o próximo milênio, Italo Calvino: Declaração de ética, mais que de poética, as conferências que Calvino preparou para a Universidade Harvard representam o testamento artístico de um dos protagonistas literários do fim de milênio. Em meio à cada vez mais aguda crise contemporânea da linguagem, o grande escritor italiano identifica as seis qualidades que apenas a literatura pode salvar – leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência –, virtudes a nortear não apenas a atividade dos escritores, mas cada um dos gestos de nossa existência. Feitas de divagações, memórias e trechos autobiográficos, as seis propostas de Calvino constituem um precioso legado para as gerações vindouras.


7. Sobre a escrita: a arte em memórias, Stephen King: Eleito pela Time Magazine um dos 100 melhores livros de não-ficção de todos os tempos e vencedor dos prêmios Bram Stoker e Locus, Sobre a escrita é uma obra extraordinária de um dos autores mais bem-sucedidos de todos os tempos. Com uma visão prática e interessante da profissão de escritor, incluindo as ferramentas básicas que todo aspirante a autor deve possuir, Stephen King baseia seus conselhos em memórias vividas na infância e nas experiências do início da carreira. Ao mesmo tempo um álbum de memórias e uma aula apaixonante, Sobre a escrita irradia energia e emoção no assunto predileto de King: a literatura.


Boas leituras!

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